Descobrir uma gestação costuma ser um momento marcado por expectativas e mudanças. Ao mesmo tempo em que pode existir alegria, também podem surgir medo, insegurança e muitas preocupações.
Muitas mulheres acreditam que deveriam viver a gravidez apenas com felicidade. Quando percebem que estão ansiosas, acabam se sentindo culpadas ou pensando que há algo errado com elas.
Mas sentir ansiedade na gestação não significa que você será uma mãe pior ou que não ama o seu bebê. Significa, antes de tudo, que está vivendo um período de grandes transformações.
O que é a ansiedade na gestação?
A gestação envolve mudanças físicas, hormonais, emocionais e sociais. É natural que surjam dúvidas sobre o parto, a saúde do bebê, as responsabilidades da maternidade e as transformações na vida da família.
Em muitos momentos, a ansiedade faz parte desse processo.
Ela pode se manifestar de diferentes maneiras: por meio de preocupações frequentes, dificuldade para relaxar, sensação constante de tensão, necessidade de controlar tudo ou medo de que algo ruim aconteça.
Independentemente de existir ou não um diagnóstico, quando essas emoções causam sofrimento ou começam a interferir na qualidade de vida, elas merecem atenção e cuidado.
Buscar apoio psicológico não depende da presença de um transtorno mental. Muitas mulheres encontram na psicoterapia um espaço para compreender o que estão vivendo, fortalecer seus recursos emocionais e atravessar esse período com mais segurança e acolhimento.
Quando a ansiedade na gestação merece atenção?
Embora algum grau de ansiedade seja esperado durante a gestação, alguns sinais indicam que é importante buscar ajuda:
- preocupações que parecem difíceis de controlar;
- dificuldade para dormir por causa dos pensamentos;
- sensação constante de tensão;
- medo intenso relacionado ao parto ou à saúde do bebê;
- dificuldade para aproveitar momentos da gestação;
- sofrimento emocional persistente.
Esses sinais não significam, necessariamente, que exista um transtorno psicológico.
No entanto, indicam que você não precisa enfrentar esse momento sozinha. Quanto antes esse sofrimento for acolhido, maiores são as possibilidades de promover bem-estar e prevenir o agravamento do sofrimento emocional.
Sentir emoções difíceis não diminui o amor pelo bebê
Existe uma expectativa muito presente na sociedade de que a gestação deve ser vivida apenas com felicidade.
Essa ideia faz com que muitas mulheres escondam aquilo que realmente estão sentindo por medo de serem julgadas.
É importante lembrar que emoções diferentes podem coexistir.
Você pode amar profundamente o seu bebê e, ao mesmo tempo, sentir medo, insegurança, tristeza ou ansiedade.
Uma emoção não anula a outra.
Reconhecer aquilo que você sente não significa fraqueza. Significa permitir-se viver essa experiência com mais autenticidade e gentileza consigo mesma.
Por que cuidar da saúde mental durante a gestação?
A saúde mental não começa no nascimento do bebê.
O cuidado emocional durante a gestação é uma forma de promoção da saúde e também de prevenção.
Quando a gestante encontra um espaço para falar sobre suas emoções, compreender seus medos e fortalecer seus recursos emocionais, torna-se possível identificar precocemente sinais de sofrimento psíquico.
Esse cuidado também reduz fatores que podem contribuir para dificuldades emocionais no pós-parto, como a depressão pós-parto e os transtornos de ansiedade.
Além disso, favorece uma transição mais saudável para o puerpério, período marcado por intensas mudanças físicas, emocionais e relacionais.
Cuidar da saúde mental durante a gestação é cuidar de você hoje e também investir no seu bem-estar para os desafios que virão após o nascimento do bebê.
Como a psicoterapia ajuda a lidar com a ansiedade na gestação?
A psicoterapia oferece um espaço seguro para que a gestante possa falar sobre suas emoções sem medo de julgamentos.
Mais do que aliviar sintomas, ela possibilita compreender a própria experiência, desenvolver estratégias para lidar com os desafios da gestação e fortalecer recursos emocionais para esse novo momento da vida.
Cada gestação é única. Por isso, não existe uma maneira “certa” de sentir.
O mais importante é que você tenha um espaço onde possa ser ouvida, acolhida e cuidada.
Conclusão
A gestação não precisa ser perfeita para ser vivida com amor.
Sentir medo, ansiedade ou insegurança não significa que você será uma mãe pior. Significa apenas que está vivendo um período de profundas transformações.
Se você chegou até este artigo porque tem vivido a gestação com ansiedade, saiba que isso não significa que exista algo de errado com você.
Você não precisa enfrentar esse momento sozinha.
Buscar apoio psicológico é um gesto de cuidado consigo mesma e pode tornar essa caminhada mais leve, consciente e acolhedora.
Sobre a autora
Elisiandra Rohde é psicóloga (CRP 08/32260) e especialista em Saúde Mental Perinatal. Atua no cuidado psicológico de mulheres na tentativa de engravidar, durante a gestação, no puerpério e em situações de luto gestacional, oferecendo um espaço de escuta, acolhimento e cuidado em cada etapa da jornada reprodutiva.
Agende um atendimento
Se você está vivendo a gestação com ansiedade, medo ou outras dificuldades emocionais, saiba que não precisa enfrentar esse momento sozinha.
A psicoterapia oferece um espaço de escuta, acolhimento e cuidado para compreender o que você está vivendo e fortalecer seus recursos emocionais durante essa fase.
Se você deseja agendar um atendimento ou tirar dúvidas sobre o acompanhamento psicológico, entre em contato. Será um prazer acolher você nesse momento da sua jornada.
Referências
- BRASIL. Ministério da Saúde. Pré-natal e Puerpério: Atenção Qualificada e Humanizada – Manual Técnico. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
- MALDONADO, Tereza. Psicologia da Gravidez: parto e puerpério. São Paulo: Saraiva.
- SCHIAVO, Rafaela de Almeida. Variáveis associadas à ansiedade gestacional em primigestas e multigestas. Temas em Psicologia, v. 26, n. 4, 2018.